Fan Page

quarta-feira, 23 de março de 2011

A Alma do Vinho

0 Consolos

A alma do vinho assim cantava nas garrafas:

"Homem, ó deserdado amigo, eu te compus,

Nesta prisão de vidro e lacre em que me abafas,

Um cântico em que há só fraternidade e luz!

Bem sei quanto custou, na colina incendida,

De causticante sol, de suor e de labor,

Para fazer minha alma e engendrar minha vida;

Mas eu não hei de ser ingrato e corruptor,

Porque eu sinto um prazer imenso quando baixo

À goela do homem que já trabalhou demais,

E sei peito bastante é doce tumba que acho

Mais propícia ao prazer que as adegas glaciais.

Não ouves retirar a domingueira toada

E esperanças chalrar em meu seio, febris?

Cotovelos na mesa a manga arregaçada,

Tu me hás de bendizer e tu serás feliz:

Hei de acender-te da esposa embevecida;

A teu filho farei a força e a cor

E serei para tão terno atleta da vida

Como o óleo e os tendões enrija ao lutador.

Sobre ti tombarei, vegetal ambrosia,

Grão precioso que lança o eterno semeador,

Para que enfim do nosso amor nasça a poesia

Que até Deus subirá como uma rara flor!"

Continue reading ...

O Vampiro

0 Consolos
Tu que, como uma punhalada,
Em meu coração penetraste,
Tu que, qual furiosa manada
De demônios, ardente, ousaste,
De meu espírito humilhado,
Fazer teu leito e possessão
- Infame à qual estou atado
Como o galé ao seu grilhão,
Como ao baralho o jogador,
Como à carniça ao parasita,
Como à garrafa ao bebedor
- Maldita sejas tu, maldita!
Supliquei ao gládio veloz
Que a liberdade me alcançasse,
E ao veneno, pérfido algoz,
Que a covardia me amparasse.
Ai de mim! Com mofa e desdém,
Ambos me disseram então:
"Digno não és de que ninguém
Jamais te arranque a escravidão,
Imbecil! - se de teu retiro
Te libertássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!
Continue reading ...

quinta-feira, 17 de março de 2011

A serpente que dança

0 Consolos

Em teu corpo, lânguida amante,

Me apraz contemplar,

Como um tecido vacilante,

A pele a faiscar.

Em tua fluida cabeleira

De ácidos perfumes,

Onde olorosa e aventureira

De azulados gumes,

Como um navio que amanhece

Mal desponta o vento,

Minha alma em sonho se oferece

Rumo ao firmamento

Teus olhos que jamais traduzem

Rancor ou doçura,

São jóias frias onde luzem

O ouro e a gema impura.

Ao ver-te a cadência indolente,

Bela de exaustão,

Dir-se-á que dança uma serpente

No alto de um bastão.

Ébria de preguiça infinita,

A fronte de infanta

Se inclina vagarosa e imita

A de uma elefanta.

E teu corpo pende e se aguça

Como escuna esguia,

Que às praias toca e se debruça

Sobre a espuma fria.

Qual uma inflada vaga oriunda

Dos gelos frementes,

Quando a água em tua boca inunda

A arcada dos dentes

Bebo de um vinho que me infunde

Amargura e calma,

Um líquido céu que se difunde

Astros em minha alma!

Continue reading ...

Cíume

0 Consolos
Entre as tartáreas forjas, sempre acesas,
Jaz aos pés do tremendo, estígio nume ,
O carrancudo, o rábido Ciúme,
Ensanguentadas as corruptas presas.

Traçando o plano de cruéis empresas,
Fervendo em ondas de sulfúreo lume,
Vibra das fauces o letal cardume
De hórridos males, de hórridas tristezas.

Pelas terríveis Fúrias instigado,
Lá sai do Inferno, e para mim se avança
O negro monstro, de áspides toucado.

Olhos em brasa de revés me lança;
Oh dor! Oh raiva! Oh morte!... Ei-lo a meu lado
Ferrando as garras na vipérea trança.
Continue reading ...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Remorso Póstumo

0 Consolos

Quando fores dormir, ó bela tenebrosa,

Em teu negro e mamóreo mausoléu, e não

Tiveres por alcova e refúgio senão

Uma cova deserta e uma tumba chuvosa;

Quando a pedra, a oprimir tua carne medrosa

E teus flancos sensuais de lânguida exaustão,

Impedir de querer e arfar teu coração,

E teus pés de correr por trilha aventurosa,

O túmulo, no qual em sonho me abandono

- Porque o túmulo sempre há de entender o poeta -,

Nessas noites sem fim em que nos foge o sono,

Dir-te-á: "De que valeu, cortesã indiscreta,

Ao pé dos mortos ignorar o seu lamento?"

- E o verme te roerá como um remorso lento

Continue reading ...

terça-feira, 15 de março de 2011

In The Dark

0 Consolos



Há noites não tenho sono
Fico fantasiando o momoneto em que me procurarás pedindo perdão
ou então vou mais além ainda e imagino como tudo seria se não tivesse te conhecido.
Me lembro da felicidade simulada em que eu me encontrava
Eis que você surge e achei felicidade real, palpavel
Qualquer medo, dor raiva sumiam nos teus braços
Tu eras meu amor e meu porto seguro
nada e ninguém conseguiam me deixar tão feliz quanto eu estava ao seu lado
Não era doente, obsessivo ou imponente
Teus beijos e abraços eram um calmante para a minha castigada alma
Hoje os calmantes sçao artificiais e me obrigam a dormir só para que eu não passe a noite a chorar a tua ausência.
mas advinha: ao cair no sono sempre, todas as noites sonho com teus olhos em minha direção e tua boca dizendo me amar
E qual é o maior castigo, não dormir para não fantasiar
ou dormir e reviver a bela história perdida?
Continue reading ...
 

Blogger news

Blogroll

About

Free Black Glitter Precision Select MySpace Cursors at www.totallyfreecursors.com

Copyright © ††† Madame Vedder ††† Design by BTDesigner | Blogger Theme by BTDesigner | Powered by Blogger